Há um ano, o livro “Planeta Terra: O que aconteceu?” era
apresentado ao público pela primeira vez. O lançamento aconteceu na cidade de Recife,
PE, em um evento cultural que contou com a participação de grupos musicais,
declamação de poesia e uma palestra sobre a importância do hábito de leitura. A
música de encerramento foi “What a Wonderful World”. Em seguida teve início a
sessão de autógrafos.
domingo, 14 de abril de 2013
domingo, 7 de abril de 2013
Revista Noticia do Momento.
O link a seguir contém um texto de minha autoria publicado no blog Revista Noticia do Momento.
O blog e a revista são uma interessante iniciativa da escritora e ativista literária Maria José, com o objetivo de divulgar a obra de escritores independentes.
Confiram!
http://revistanoticiadomomento.blogspot.com.br/2013/04/texto-original-da-autora-delanie.html
O blog e a revista são uma interessante iniciativa da escritora e ativista literária Maria José, com o objetivo de divulgar a obra de escritores independentes.
Confiram!
http://revistanoticiadomomento.blogspot.com.br/2013/04/texto-original-da-autora-delanie.html
quinta-feira, 28 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Feliz Aniversário!
Hoje é o aniversário da capital de Pernambuco, Recife,
e de sua irmã, dois anos mais velha, Olinda.
Recife, Olinda!
Olinda, Recife!
Cidades históricas, belas, em contínuo processo de
transformação e desenvolvimento. Cidades que valorizam a cultura, sua gente,
suas belezas naturais.
Olinda tem o mar, tem ladeiras, tem vistas panorâmicas
do alto. Tem construções magníficas de antigas igrejas, tem artesanato... tem
muito, muito mais que isso.
Tenho orgulho de ter nascido em Recife.
Essa querida cidade tem o privilégio de levar no nome
uma das grandes maravilhas do mundo natural, abundantes em toda a região: os
recifes de coral.
Recife tem o privilégio de ser banhada por rios, possuir
belas pontes, o mar, condições climáticas amenas e estáveis, construções
antigas e bem preservadas, que fazem nosso pensamento viajar para o passado e
imaginar a riqueza de acontecimentos que deve ter ocorrido bem ali, entre aquelas
paredes singulares.
Recife agora tem a SEDA, secretaria de defesa dos
direitos dos animais, que apesar de ter nascido há tão poucos dias, vem dando
seus primeiros passos com grande desenvoltura, cuja base é o trabalho de
conscientização dos humanos, um dos pilares da sustentabilidade.
Recife acaba de completar 476 anos e pode se orgulhar
de ter um magnífico passado histórico, um presente que se renova, se supera e
aponta para um futuro de constante desenvolvimento aliado à sustentabilidade.
E sabem o que mais Recife tem?
Recife tem escritores, escritores como eu, que vão à
luta, destemidos e determinados.
Recife tem escritores que seguem em frente, dispostos
a vencer as barreiras impostas pela escassez de recursos, a indiferença, a
desvalorização, o desprezo e o preconceito. Escritores que acreditam ser
possível unir esforços com outros profissionais (designers gráficos,
profissionais de marketing, editores, representantes e vendedores) e, juntos, quebrar
o grande paradigma de que “escritor independente não tem futuro”.
Sim, Recife tem escritores promissores!
Muitas felicidades a todos os que amam, habitam,
visitam, admiram, ainda que de longe, a todos os filhos distantes, que sentem saudades
de Olinda e Recife.
Recife, Olinda!
Olinda, Recife!
Feliz Aniversário! Com carinho,
Delanie Velázquez.
www.delanievelazquez.com
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Um Cantinho em Nosso Coração
Faz um bom tempo que não escrevo
neste Blog.
Vontade e ideias não faltaram,
mas, simplesmente, não escrevi. Uma coisa aqui, outra ali; corre pra lá, corre
pra cá... Depois chegou o final do ano, encerramento de semestre letivo (quem é
professor ,ou convive com um espécime desses por perto, sabe o que isso
significa) e vieram as férias. Ah! Férias! Tão sonhadas! Tão almejadas...
Com as férias veio o dilema:
viajar para bem longe e deixar tudo pra trás, ou ficar em casa e aproveitar para
conhecer melhor a cidade e seus arredores. Nesse caso, eu poderia também aproveitar
o tempo livre para agarrar a lista de “coisas por fazer” e tentar eliminar uma por uma, entre elas a
massacrante tarefa de organizar e selecionar papéis.
Optamos por ficar e, como
consequência disso, o que conseguimos foi desfrutar de excelentes passeios a
lugares que estão bem próximos de nós e nunca havíamos experimentado. Vi
diminuir, notavelmente, a montanha de papéis e coisinhas que a gente vai
guardando no dia a dia, com direito à conhecida promessa: “De agora em diante, não vou mais juntar
coisas inúteis. Prometo que só guardarei aquilo que for essencial.”
Recebemos a agradável visita de
familiares e aproveitei para fazer exames de rotina. Quando me dei conta, as
férias haviam acabado.
De volta ao trabalho, percebi que
minhas energias estavam renovadas e minha voz, também. Então, veio o Carnaval, e
tivemos um recesso. Nesse período pude fazer algo que não fazia há muito tempo:
ficar em casa. Isso mesmo! Ficar dentro de casa sem ir a lugar algum.
Descansar, desempenhar meus
afazeres sem a incômoda pressão de horário e avançar consideravelmente na
escrita do segundo volume da série “Planeta Terra”, foi o que fiz nesses dias.
Além disso, em minhas curtas saídas, aproveitei para desfrutar de agradáveis
momentos em meio à natureza.
Sentar na grama em um lugar calmo
e tranquilo, procurando captar ao máximo os sons, cores, formas, movimentos e
aromas do mundo natural ao meu redor, foi incrivelmente gratificante. Pude ver
uma mãe sabiá cuidando de seus filhotes. Tive o privilégio de ser analisada por
dois pares de olhos bem vivos e atentos.
Ao me aproximar do galho onde
estavam os sabiás, os filhotes ergueram-se do ninho e passaram a me analisar,
como se dissessem: “ mas que coisa grande e estranha é essa que apareceu, de
pronto, bem aqui, embaixo de nossa casa?” E os dois moviam a cabeça, como se
quisessem me analisar de todos os ângulos possíveis.
A mãe havia saído, sem dúvida,
para buscar alimento. Em breve estaria de volta, e os pequenos sabiás, certamente,
fariam aquela gritaria e abririam bem os bicos, de um modo que só filhotes
famintos sabem fazer.
Ah! Por falar em animais... Hoje
pela manhã, fomos surpreendidos pela visita de alguém, que chegou repentinamente, deixando bem claro suas intenções: veio para ficar.
Meu esposo havia escutado um
miado e, ao abrir a porta, ela entrou correndo como um raio, e foi parar na
cozinha. A criaturinha felpuda deve ter em torno de 30 a 40 dias, é amarela e
branca e tem os olhos azuis acinzentados mais expressivos e sedutores que eu já
vi. Me pergunto o que teria acontecido com a outra metade de seu rabo, se ela
sofreu um acidente ou se foi vítima da crueldade de alguém.
Bem, o resto vocês já devem
imaginar. Fazendo uso de suas habilidades felinas de sedução, ela conquistou
nosso coração, por completo, e virou o centro de todas as atenções.
Lilica! Foi assim que eu passei a
chamá-la, pela semelhança com a gatinha adotada por minha amiga Janaina e sua
família.
Foi Lilica que me inspirou a
voltar a escrever neste Blog. Ela me motivou a dizer, repetir, enfatizar, clamar
bem alto: precisamos cuidar dos animais que estão ao nosso redor, que cruzam
nosso caminho. Precisamos prestar mais atenção a essas criaturas e suas
necessidades. Odiar os maus tratos, aborrecer a indiferença e fazer nossa
parte, sem empurrar para os outros nossa tarefa. Banir, de uma vez por todas, o
“eu não posso” ou “simplesmente não dá”.
Como cidadãos do Planeta Terra,
nossa obrigação é CUIDAR. Nossa responsabilidade é COMPARTILHAR essa causa,
motivando outros a abraçá-la e divulgá-la.
Enquanto escrevo, Lilica corre,
despreocupadamente, de um lado para outro. De vez em quando, seus olhinhos
expressivos me encaram, com confiança, e me comunicam algo que eu já sabia, mas
gosto de relembrar: que os animais nos pedem uma só coisa, bem pequenina, apenas
um modesto cantinho em nosso espaçoso coração.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Depois da Morte
Após a morte, o corpo é logo sepultado, e,
somente então, familiares e amigos se reúnem para consolar-se mutuamente. Nessa
ocasião, todos têm a oportunidade de expressar suas emoções, o que sempre
envolve lágrimas e muitas recordações dos bons momentos vividos juntos com o
falecido.
Mas a vida é muito curta. Os dias de luto não
podem ser muitos, pois todos precisam viver intensamente cada momento de sua
existência e concentrar-se no presente. O falecido e a convivência com ele
agora fazem parte do passado. Apenas seu exemplo e as lições que ensinou em
vida permanecem registrados na memória daqueles que o conheceram e conviveram
com ele. (p. 40).
Estas
palavras, extraídas do livro Planeta Terra: o que aconteceu? , descrevem, de
modo sucinto, a maneira como a civilização que estará habitando o planeta Terra
por volta do ano 2250, lidará com a questão da morte.
Deixando
de lado a ficção e voltando para a realidade, no dia de hoje, 02 de Novembro,
muitos dedicam seu tempo para homenagear os mortos. Mais do que nunca, esse é
um dia de recordações, algumas boas e outras, nem tanto. Dentre as boas recordações
destacam-se: os bons momentos passados juntos com o falecido, o bem que ele
semeou e as lições de vida que ele deixou. Do outro lado estão as recordações
desagradáveis, permeadas, por sentimentos de culpa, mágoas, problemas nas
resolvidos, mas o pior de todos, talvez seja uma sensação de vazio, suscitado
pela ausência da pessoa querida. E, na mente de todos, de modo intenso ou
sutil, surge a persistente e, por vezes, incômoda questão: O que acontece
depois da morte? O que acontece com quem fica e o que acontece com quem vai?
Para
quem fica restam a saudade, a solidão, a dor da perda, pensamentos confusos e
contraditórios, a obrigação de reorganizar a vida financeira e familiar...
Sobre a questão dos sentimentos contraditórios, certa vez li um livro que
mencionava a história de uma senhora que procurou um profissional para
auxiliá-la a lidar com a perda do esposo, após uma longa e feliz convivência
matrimonial. Logo na primeira sessão ela deixou bem claro que estava com raiva,
muita raiva do esposo por tê-la abandonado, por ele ter morrido antes dela, deixando-a
sozinha. “Ele não podia ter me deixado”, dizia ela, entre lágrimas, “não
consigo viver sem ele”.
Isso
me faz lembrar as palavras de alguém que mencionou, certa vez, que “amava tanto
sua esposa que preferia ter morrido no lugar dela”. Ou seja, ele preferia estar
morto, automaticamente sem sofrer nada,
e que a esposa estivesse viva sofrendo a dor da perda no lugar dele. Pergunto:
que amor é esse? Isso me faz concluir que é amor próprio, não o amor pela
esposa. Ele queria livrar a si mesmo da dor da perda.
Fiquei
sabendo de outra senhora, que perdeu o filho prematuramente, um jovem dinâmico
e pai de família, que foi vítima de uma doença incurável. Os familiares
tentavam confortá-la, dizendo que se ele escapasse, jamais poderia levar uma
vida normal e viveria com muitas sequelas. Contudo, em meio ao seu desespero, aquela
mãe chegou a afirmar que preferia ter o filho vivo em cima de uma cama, sem
poder andar, comer ou falar, do que perdê-lo. Ela não estava aguentando a
perda.
Para
quem fica, depois da morte, muitas vezes restam sentimentos conflitivos. De um
lado estão aqueles sentimentos de amor pelo falecido e interesse em seu bem
estar, do outro, sentimentos de amor próprio, de autoproteção, que levam o
indivíduo a não suportar a dor da perda, levando-o, inclusive, a desejar trocar
de lugar com o morto, se fosse possível.
Mas,
e o que acontece com quem vai? O que há depois da morte? Definitivamente NADA?
Ou existe um paraíso, inferno, outras dimensões espirituais? Quem vai pode
retornar? Quem vai pode acompanhar, ainda que de longe, o que anda acontecendo
no Planeta Terra?
Para
os vivos, a questão da morte apresenta dois polos distintos, duas certezas: a
certeza de que a existência do falecido definitivamente terminou e a certeza de
que o morto apenas “mudou de endereço”, ou seja partiu para o “outro lado”, uma
nova dimensão, uma dimensão espiritual. Entre esses dois polos, entre essas duas
certezas, há um grande abismo de incertezas. E mesmo para aqueles que acreditam
na existência após a morte, tal certeza conduz a muitas incertezas.
Onde,
exatamente, estaria o falecido, o que ele estaria fazendo? Será que ele estaria
sofrendo, teria notícias de seus familiares que ficaram ou não mais se
lembraria deles? Caso o falecido venha a ter notícias dos familiares, como se sentirá
ao vê-los sofrerem, inclusive com a dor causada por sua ausência? Nessa existência
após a morte, haveria a possibilidade de um reencontro entre aqueles que
conviveram em vida? Como seria esse reencontro, alegre e descontraído ou tenso
e em clima de acerto de contas?
E
você, leitor, em qual desses polos se encontra? Ou você está entre um e outro,
debatendo-se em meio às incertezas? Será que aquela sua certeza o conduz a
maiores incertezas? Afinal, nossas crenças acerca da morte afetam o modo como conduzimos
nossa vida?
Que
tal, pensar um pouco nesse assunto?
Para
começar, sugiro a reflexão sobre dois textos extraídos de um livro, escrito há
muito tempo, por pessoas que viveram em diferentes épocas e lugares, o qual
apresenta aspectos surpreendentes acerca da questão da vida e da morte: 1)a
morte põe fim à existência do indivíduo; 2)os mortos voltarão a viver, ou seja,
eles ressuscitarão. Sendo assim, o intervalo entre a morte e a ressurreição é
marcado pela inexistência do indivíduo.
“Tudo quanto te
vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura para
onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma.”
“Não vos maravilheis disso, porque vem a hora
em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizerem o
bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a
ressurreição da condenação.”
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Dia do Professor
Hoje, 15 de outubro, é o dia do professor. Nesse
dia, mais do que em nenhum outro, sou levada a refletir acerca da nobre tarefa
e da responsabilidade de um professor. Penso em muitos docentes que fizeram
diferença em minha vida e penso, também, em três professores, que saíram das
páginas do livro “Planeta Terra”, produto de minha imaginação.
Analisando melhor o perfil destes personagens,
pude concluir que eles têm algo importante a nos ensinar e decidi escrever algo
sobre eles.
Como todos os personagens do livro Planeta Terra, Antônio,
Geraldo e Márcia, têm uma passagem pela narrativa muito curta, porém marcante. Sua
importância é apenas percebida depois de uma segunda ou terceira leitura.
As poucas informações acerca destes personagens
são estas: eles são professores e trabalham no Instituto Saber e Vida. Vivem em
um futuro distante, após o ano 2250. Nesta época, o estilo de vida dos humanos
é completamente diferente, no que diz respeito às atividades diárias,
prioridades, metas e objetivos, além da própria estrutura corporal. Quem quiser
saber mais sobre essas diferenças, bem... é só ler o livro.
Os três professores empreendem uma excursão com
seus alunos, uma jornada que acaba se tornando o episódio mais marcante de suas
vidas. Durante a viagem, dois alunos se perdem, propositalmente, a fim de
experimentar novas aventuras, mas o que eles encontram os deixa, sobremaneira,
assustados.
A descoberta dos dois aventureiros conduz a uma
mudança nos planos do grupo, mas, diante de tudo isso, os professores Antônio,
Geraldo e Márcia se saem muito bem e aproveitam todas as circunstâncias para ensinar
valiosas lições a seus alunos e motivá-los na construção do conhecimento.
O modo como os professores agem durante todo o
episódio nos permite tirar algumas conclusões que nos levam a refletir sobre
nossa postura como docentes.
Antônio, Geraldo e Márcia levaram seus alunos para
uma excursão como parte das atividades escolares, o que nos permite concluir
que eles costumavam envolver os alunos em atividades práticas, afim de que eles
se sentissem parte do assunto a ser estudado. A excursão também possibilitaria
aos alunos formularem questões e buscarem respostas por si mesmos. Os
estudantes foram conduzidos a uma atividade de pesquisa, algo de fundamental
importância no processo de construção do conhecimento.
A maneira como os professores agiram com os dois
alunos “rebeldes”, mostra que eles estavam comprometidos com a educação
daqueles estudantes. Ao invés de condená-los, imediatamente tomaram uma atitude
que não apenas resolveu o problema criado pelos dois, como também serviu como
valiosa lição para todo o grupo, incluindo os próprios professores.
O espírito de liderança do Professor Antônio fica
evidente. Como líder, ele tinha atitude, tomada de decisão, capacidade de lidar
com imprevistos e cooperação de seus liderados. Contudo, reconhecia que não era
o dono da verdade e sempre trocava ideias com seus colegas, Geraldo e Márcia.
Ele também sabia valorizar as opiniões e pensamentos de seus alunos, mesmo
quando tais propostas não representavam a melhor saída para o problema,
estimulando-os a refinar seu pensamento até encontrarem a solução mais adequada.
O professor Antônio também sabia lidar com suas
limitações e não se envergonhava de admiti-las diante de seus alunos. Quando
questionado acerca de algo desconhecido que o grupo encontrou pelo caminho, o
professor não hesitou em afirmar que tal achado também lhes trouxe muitas
indagações, para quais ele ainda não tinha nenhuma resposta, mas que começaria
a procurá-las junto com todos aqueles que quisessem acompanhá-lo. Tal atitude
suscitou aplausos por parte dos alunos e a disposição de se unirem em busca de
respostas.
Ah! Antônio, Geraldo e Márcia... Vocês não podem
deixar de conhecê-los. Eles estão bem ali, nas páginas do “Planeta Terra”.
Saindo da ficção e, voltando para a realidade. A
data de hoje me faz lembrar uma conversa que tive com uma jovem que conheci em
uma de minhas viagens de lançamento do livro, há algum tempo.
Ela era estudante de graduação em certa
instituição de ensino muito conceituada. Estava em seu último ano, às voltas
com o famoso TCC, mas o que mais a angustiava era uma sensação de frustração,
uma verdadeira decepção quanto ao curso e a postura da maioria dos docentes.
Quando iniciou seus estudos, ela pensava que
aquele curso e aquela instituição iriam proporcionar-lhe a oportunidade de
desenvolver suas habilidades mentais de raciocínio, argumentação, a arte de
questionar e debater, de expressar seu pensamento e não ser apenas uma mera
repetidora do pensamento de outros (diga-se, de passagem, dos professores). Mas,
foi, exatamente, o contrário que ocorreu. Tristemente ela logo descobriu que os
alunos eram preparados ali para serem aprovados nos exames de avaliação da
faculdade e do curso, afim de que a instituição tivesse um ótimo conceito e
pudesse ser bem vista pela sociedade e futuros clientes.
A postura de alguns docentes, tanto dentro como
fora da sala de aula, deixou-a transtornada. Certo dia, um professor pediu que
ela o aguardasse na sala dos professores. Enquanto estava ali, ela pôde
presenciar as conversas de alguns docentes que, julgando que ela fosse uma
colega, começaram a falar livremente acerca dos estudantes para os quais eles
ministravam aulas. Muitos deles usavam expressões preconceituosas e deixavam
claro seu desprezo pela classe estudantil, como se os alunos fossem seres detestáveis
e inferiores a eles, os docentes.
Ao ouvir seu relato fiquei perplexa e grandemente
perturbada. Passei a imaginar o efeito que a postura desses mercenários da
educação, pois não merecem o título de professor, tem causado na vida dos
milhares de estudantes com os quais eles lidam diariamente.
Mas, ao final de nossa conversa, tive a grande
alegria de ouvir aquela jovem mencionar acerca de seu desejo de, após a
conclusão de seus estudos, iniciar uma pós-graduação e, em breve, tornar-se
docente naquela mesma instituição e oferecer a seus alunos tudo aquilo que ela desejou,
mas não teve: um ambiente agradável de construção do conhecimento.
– Vá em frente! – eu lhe disse. – Você não imagina
como sua decisão me deixa feliz. Acredito, plenamente, que você fará toda a
diferença naquela instituição, irá quebrar muitos paradigmas e, até,
influenciará seus futuros colegas, que hoje são seus professores, conduzindo-os a uma atitude
de reflexão e de mudança.
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