terça-feira, 14 de maio de 2013

Corpo Humano

Parada ao lado do carrinho de compras, eu aguardava minha vez na fila do caixa de um supermercado.
Enquanto esperava, minha atenção foi atraída para o movimento das pessoas que desfilavam apressadas pelos corredores, circulavam pela frente dos caixas ou, simplesmente, permaneciam de pé em outras filas ao meu redor.
Ao observá-las, todas tão diferentes umas das outras, fiquei pensando na variedade de tipos do corpo humano e exclamei para mim mesma: Como nossa espécie exibe uma diversidade surpreendente e, por que não dizer, maravilhosa?
Há variedade nos formatos, nas proporções entre as partes, nas dimensões de largura, altura e profundidade, na coloração do revestimento externo (em parte determinada pela produção de melanina, em parte pela exposição à radiação solar), no comprimento, textura, formato e coloração dos fios que recobrem o couro cabeludo...
Mas a variedade não existe apenas no que se vê por fora, como também no interior. Os estudantes de anatomia que o digam, como eles sofrem para entender a diversidade de arranjos de vasos sanguíneos e nervos. Quem pensa que por dentro somos todos iguais, está muito enganado.
Ah! Imensa, magnífica, incrível e bela variedade!
Que pena que tão poucos humanos conseguem enxergar a beleza dessa diversidade!
Ofuscados pelo brilho das imagens dos artistas do cinema e da TV, bombardeados pelos apelos comerciais das empresas de cosméticos, presos aos padrões ditados pela sociedade e proclamados incessantemente pelos meios de comunicação, muitos indivíduos de nossa espécie seguem infelizes, principalmente quando têm um encontro com o espelho.
Infelizes, apesar de serem possuidores de uma das grandes maravilhas da natureza: o corpo humano.
Ah! Que arranjo magistral, organizado em células, tecidos, órgãos e sistemas diversificados! Será que, algum dia, a sociedade humana vai associar o conceito de belo com a variedade?
Há algum tempo li uma definição de feiura que me pareceu bem interessante: “Feio é o esforço para ficar igual ao que se convencionou chamar de bonito1...”
Que tal começarmos a mudar o grande paradigma da beleza? Que tal se, pelo menos, começássemos a refletir sobre isto?

Referência
1.BOTELHO, Carol. Incomum e Belo. Jornal do Commercio. Arrecifes. Ano 3. n. 99. Recife, 03 mar 2013. p. 10.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Momentos pós-chuva


Um dia desses, pela manhã, quando a chuva cessou, fui fazer caminhada, e encontrei coisas que a gente só encontra em momentos pós-chuva.

Pude me deleitar com os sons agradáveis de minhas pisadas na grama molhada. E, por falar em sons, além dos costumeiros cantos das aves, difundiam-se pelo ar diferentes chamados de anfíbios. Esses animais permaneciam ocultos aos olhos, mas não aos ouvidos.

Ao observar bem o solo, notei a presença de diversos fungos, a maioria com formato de guarda-sol. Insetos de diferentes tamanhos, transitavam, apressados, de um lado para outro.

O aroma que se desprendia da grama, das árvores, das flores e do solo molhado, unia-se em um mix de informação sensorial, que pareceu muito agradável à área olfativa de meu córtex cerebral.

Não podia me demorar muito. Em casa havia boquinhas famintas a minha espera.

Pelo caminho, ia pensando no desejo que tenho de compartilhar as maravilhas da natureza com amigos, familiares, conhecidos e desconhecidos.

Fiquei pensando em como anseio motivar os humanos a se tornarem apaixonados observadores da natureza, pessoas que cultivem o hábito de se encantar com as belezas do mundo natural, belezas tais que estão diariamente diante de seus olhos, mas elas não lhe dão a menor importância.

Foi pensando nisso que, ao chegar a casa, escrevi:

Que todas as manhãs você receba o abraço do sol.
Que a suave canção da chuva lhe conceda bons sonhos à noite.
Que as cores, formas e sons da natureza sejam a inspiração para sua jornada, e que cada dia traga novas oportunidades de desfrutar, plenamente, o que há de melhor no Planeta Terra.

domingo, 14 de abril de 2013

Planeta Terra completa hoje 1 ano


Há um ano, o livro “Planeta Terra: O que aconteceu?” era apresentado ao público pela primeira vez. O lançamento aconteceu na cidade de Recife, PE, em um evento cultural que contou com a participação de grupos musicais, declamação de poesia e uma palestra sobre a importância do hábito de leitura. A música de encerramento foi “What a Wonderful World”. Em seguida teve início a sessão de autógrafos.

domingo, 7 de abril de 2013

Revista Noticia do Momento.

O link a seguir contém um texto de minha autoria publicado no blog Revista Noticia do Momento.
O blog e a revista são uma interessante iniciativa da escritora e ativista literária Maria José, com o objetivo de divulgar a obra de escritores independentes.
Confiram!
http://revistanoticiadomomento.blogspot.com.br/2013/04/texto-original-da-autora-delanie.html

terça-feira, 12 de março de 2013

Feliz Aniversário!

Hoje é o aniversário da capital de Pernambuco, Recife, e de sua irmã, dois anos mais velha, Olinda.
Recife, Olinda!
Olinda, Recife!
Cidades históricas, belas, em contínuo processo de transformação e desenvolvimento. Cidades que valorizam a cultura, sua gente, suas belezas naturais.
Olinda tem o mar, tem ladeiras, tem vistas panorâmicas do alto. Tem construções magníficas de antigas igrejas, tem artesanato... tem muito, muito mais que isso.
Tenho orgulho de ter nascido em Recife.
Essa querida cidade tem o privilégio de levar no nome uma das grandes maravilhas do mundo natural, abundantes em toda a região: os recifes de coral.
Recife tem o privilégio de ser banhada por rios, possuir belas pontes, o mar, condições climáticas amenas e estáveis, construções antigas e bem preservadas, que fazem nosso pensamento viajar para o passado e imaginar a riqueza de acontecimentos que deve ter ocorrido bem ali, entre aquelas paredes singulares.
Recife agora tem a SEDA, secretaria de defesa dos direitos dos animais, que apesar de ter nascido há tão poucos dias, vem dando seus primeiros passos com grande desenvoltura, cuja base é o trabalho de conscientização dos humanos, um dos pilares da sustentabilidade.
Recife acaba de completar 476 anos e pode se orgulhar de ter um magnífico passado histórico, um presente que se renova, se supera e aponta para um futuro de constante desenvolvimento aliado à sustentabilidade.  
E sabem o que mais Recife tem?
Recife tem escritores, escritores como eu, que vão à luta, destemidos e determinados.
Recife tem escritores que seguem em frente, dispostos a vencer as barreiras impostas pela escassez de recursos, a indiferença, a desvalorização, o desprezo e o preconceito. Escritores que acreditam ser possível unir esforços com outros profissionais (designers gráficos, profissionais de marketing, editores, representantes e vendedores) e, juntos, quebrar o grande paradigma de que “escritor independente não tem futuro”.  
Sim, Recife tem escritores promissores!
Muitas felicidades a todos os que amam, habitam, visitam, admiram, ainda que de longe, a todos os filhos distantes, que sentem saudades de Olinda e Recife.
Recife, Olinda!
Olinda, Recife!
Feliz Aniversário! Com carinho,
Delanie Velázquez.
www.delanievelazquez.com

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Um Cantinho em Nosso Coração


Faz um bom tempo que não escrevo neste Blog.

Vontade e ideias não faltaram, mas, simplesmente, não escrevi. Uma coisa aqui, outra ali; corre pra lá, corre pra cá... Depois chegou o final do ano, encerramento de semestre letivo (quem é professor ,ou convive com um espécime desses por perto, sabe o que isso significa) e vieram as férias. Ah! Férias! Tão sonhadas! Tão almejadas...

Com as férias veio o dilema: viajar para bem longe e deixar tudo pra trás, ou ficar em casa e aproveitar para conhecer melhor a cidade e seus arredores. Nesse caso, eu poderia também aproveitar o tempo livre para agarrar a lista de “coisas por fazer”  e tentar eliminar uma por uma, entre elas a massacrante tarefa de organizar e selecionar papéis.

Optamos por ficar e, como consequência disso, o que conseguimos foi desfrutar de excelentes passeios a lugares que estão bem próximos de nós e nunca havíamos experimentado. Vi diminuir, notavelmente, a montanha de papéis e coisinhas que a gente vai guardando no dia a dia, com direito à conhecida promessa:  “De agora em diante, não vou mais juntar coisas inúteis. Prometo que só guardarei aquilo que for essencial.”

Recebemos a agradável visita de familiares e aproveitei para fazer exames de rotina. Quando me dei conta, as férias haviam acabado.

De volta ao trabalho, percebi que minhas energias estavam renovadas e minha voz, também. Então, veio o Carnaval, e tivemos um recesso. Nesse período pude fazer algo que não fazia há muito tempo: ficar em casa. Isso mesmo! Ficar dentro de casa sem ir a lugar algum.

Descansar, desempenhar meus afazeres sem a incômoda pressão de horário e avançar consideravelmente na escrita do segundo volume da série “Planeta Terra”, foi o que fiz nesses dias. Além disso, em minhas curtas saídas, aproveitei para desfrutar de agradáveis momentos em meio à natureza.

Sentar na grama em um lugar calmo e tranquilo, procurando captar ao máximo os sons, cores, formas, movimentos e aromas do mundo natural ao meu redor, foi incrivelmente gratificante. Pude ver uma mãe sabiá cuidando de seus filhotes. Tive o privilégio de ser analisada por dois pares de olhos bem vivos e atentos.

Ao me aproximar do galho onde estavam os sabiás, os filhotes ergueram-se do ninho e passaram a me analisar, como se dissessem: “ mas que coisa grande e estranha é essa que apareceu, de pronto, bem aqui, embaixo de nossa casa?” E os dois moviam a cabeça, como se quisessem me analisar de todos os ângulos possíveis.

A mãe havia saído, sem dúvida, para buscar alimento. Em breve estaria de volta, e os pequenos sabiás, certamente, fariam aquela gritaria e abririam bem os bicos, de um modo que só filhotes famintos sabem fazer.

Ah! Por falar em animais... Hoje pela manhã, fomos surpreendidos pela visita de alguém, que chegou repentinamente, deixando bem claro suas intenções: veio para ficar.

Meu esposo havia escutado um miado e, ao abrir a porta, ela entrou correndo como um raio, e foi parar na cozinha. A criaturinha felpuda deve ter em torno de 30 a 40 dias, é amarela e branca e tem os olhos azuis acinzentados mais expressivos e sedutores que eu já vi. Me pergunto o que teria acontecido com a outra metade de seu rabo, se ela sofreu um acidente ou se foi vítima da crueldade de alguém.

Bem, o resto vocês já devem imaginar. Fazendo uso de suas habilidades felinas de sedução, ela conquistou nosso coração, por completo, e virou o centro de todas as atenções.

Lilica! Foi assim que eu passei a chamá-la, pela semelhança com a gatinha adotada por minha amiga Janaina e sua família.

Foi Lilica que me inspirou a voltar a escrever neste Blog. Ela me motivou a dizer, repetir, enfatizar, clamar bem alto: precisamos cuidar dos animais que estão ao nosso redor, que cruzam nosso caminho. Precisamos prestar mais atenção a essas criaturas e suas necessidades. Odiar os maus tratos, aborrecer a indiferença e fazer nossa parte, sem empurrar para os outros nossa tarefa. Banir, de uma vez por todas, o “eu não posso” ou “simplesmente não dá”.

Como cidadãos do Planeta Terra, nossa obrigação é CUIDAR. Nossa responsabilidade é COMPARTILHAR essa causa, motivando outros a abraçá-la e divulgá-la.

Enquanto escrevo, Lilica corre, despreocupadamente, de um lado para outro. De vez em quando, seus olhinhos expressivos me encaram, com confiança, e me comunicam algo que eu já sabia, mas gosto de relembrar: que os animais nos pedem uma só coisa, bem pequenina, apenas um modesto cantinho em nosso espaçoso coração.